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Economia da Zona Euro

Crescimento anémico em 2020

Aquando da publicação da nossa weekly intitulada “Cenário base para 2020”, mencionámos a nossa antevisão de um crescimento lento para a economia da Zona Euro, aquém das restantes geografias avançadas. Na altura, revelámos o nosso entendimento de que a política monetária expansionista levada a cabo pelo BCE poderá evitar a recessão, mas continuará a falhar na reativação de um ritmo vigoroso de crescimento económico. Na presente nota pretendemos detalhar um pouco mais a nossa perspetiva económica para a Zona Euro.

A economia da área do Euro deverá ter registado um crescimento de 1,2%, em 2019 (FMI). O índice PMI compósito para a Zona Euro – que mede a evolução da atividade da indústria e dos serviços – atingiu 50,6 no mês de novembro e 50,9 em dezembro passado (idêntico ao valor divulgado já em janeiro 2020). Os valores verificados neste indicador nos últimos meses do ano passado sugerem uma fraqueza adicional ao nível do crescimento económico no quarto trimestre de 2019, o qual poderá ter variado apenas 0,2% em base trimestral.

O índice PMI compósito para a Zona Euro sugere fraco crescimento económico.
Fonte: IHS Markit, Eurostat

Apesar do investimento na Zona Euro ter provavelmente crescido cerca de 4,4%, em 2019, existe um forte risco de desaceleração pronunciada em 2020. O indicador de sentimento económico, EC Business Climate Indicator, que mede a confiança dos empresários na Zona Euro, tem vindo a registar descidas consecutivas ao longo do último ano, tendo atingido um valor negativo de -0,25 no mês de dezembro de 2019 (o máximo de 1,66 em 2017). Por outro lado, o resultado do inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito na área do euro, realizado em janeiro de 2020 e relativo ao último trimestre de 2019, revela que os bancos restringiram os termos e condições aplicados às várias categorias de empréstimos. Pela primeira vez desde 2013, a procura de crédito das empresas registou uma descida. A combinação destas informações parece corroborar a nossa perspetiva de forte abrandamento do investimento em 2020.

Em 2019, alguns relatórios de análise económica apontam para um crescimento das exportações de bens e serviços, na Zona Euro, em torno dos 2,5%. No que respeita à sua evolução futura, importa salientar que o indicador PMI Export Orders foi igual a 46,9 e 46,3 em novembro e dezembro respetivamente, sugerindo alguma fraqueza na procura externa (valores abaixo de 50 indicam uma contração do indicador). Acrescente-se também que a primeira fase do acordo comercial EUA-China poderá implicar uma redução das exportações da Zona Euro para a China. A China comprometeu-se em aumentar as suas importações dos EUA em 200 mil milhões de dólares, o que poderá significar uma redução das suas compras noutros destinos. Assim sendo, é natural alguma penalização para os países mais expostos ao comércio externo, nomeadamente a Alemanha (comércio externo 47,4% do PIB em 2018, segundo o Banco Mundial). A evolução do Coronavirus poderá também trazer algum impacto, apesar dos dados divulgados até ao momento, pela Comissão Nacional de Saúde chinesa, apontarem para uma taxa de mortalidade de apenas 2,85% (80 casos em 2804 infetados), condicente com o padrão normal da época viral.

A despesa de consumo na Zona Euro deverá ter crescido cerca de 1,3%, em 2019. Embora consideremos que o consumo não deverá abrandar tão fortemente como as rubricas de investimento e exportações acima mencionadas, importa dar nota que é natural que também perca algum momentum em 2020. De facto, o crescimento do emprego na Zona Euro tem vindo a abrandar, o que poderá impactar negativamente a despesa de consumo futura das famílias. No terceiro trimestre de 2019, o número de empregos aumentou apenas 0,1% em base trimestral, o que compara com taxas de crescimento de 0,3% e 0,2% registadas no primeiro e segundo trimestres do ano, respetivamente. Em 2017 e 2018, o ritmo de crescimento trimestral médio foi de 0,4% em ambos os anos. A desaceleração do emprego, por sua vez, poderá colocar pressão ao nível das negociações de acordos salariais prejudicando a evolução do rendimento disponível das famílias.

Indicadores Económicos Zona Euro (% yoy)
Fonte: Capital Economics, Refinitiv
% GDP,*% year average

Especificamente em relação às principais economias da Zona Euro importa destacar a Alemanha, cuja economia terá crescido apenas 0,5% em 2019 (FMI) e que poderá registar um crescimento marginal em 2020. O índice PMI compósito alemão igualou 51,2, em janeiro, continuando a sugerir estagnação económica. A confirmar-se nova queda da produção industrial, no quarto trimestre de 2019, tratar-se-á de uma redução pelo sexto trimestre consecutivo. As exportações deverão ter crescido 1,2%, em 2019, o que representa um abrandamento face aos 2,3% registados em 2018. Como já referimos acima, a fraqueza da procura externa deverá continuar a prejudicar o desempenho das exportações alemãs. O número de empregos na Alemanha cresceu 0,1%, no terceiro trimestre de 2019, o que representa um forte abrandamento face às taxas médias de crescimento trimestral de 0,4% e 0,3% registadas nos anos de 2017 e de 2018. As expectativas para a evolução do emprego, medidas pelo índice European Comission Employment Index, sugerem um abrandamento adicional que poderá levar a um aumento da taxa de desemprego e a uma desaceleração no crescimento do rendimento disponível das famílias. Por fim, importa dar nota de que o orçamento alemão, para 2020, prevê uma redução do excedente orçamental do país, de 1,2% do PIB, em 2019, para 0,7% do PIB, em 2020, equivalente a um estímulo fiscal de apenas 0,5% do PIB, semelhante ao sucedido em 2019.

Nos últimos 5 anos, as pressões inflacionistas na Zona Euro têm sido praticamente inexistentes. A inflação core igualou 1,0%, em 2018, e terá igualado 1,1%, em 2019, ficando sempre muito aquém do objetivo de 2% prosseguido pelo BCE. A inflação core registou uma subida nos últimos meses do ano passado, aumentando de 1,1%, em outubro, para 1,3%, em novembro e dezembro. No entanto, o aumento recente neste indicador não parece sustentado pela observação dos dois indicadores do BCE que pretendem ser medidas mais estáveis de inflação. Tal como se observa no gráfico abaixo, a Supercore Inflation e a Persistent and Common Component Inflation não registaram subidas nos meses de novembro e dezembro, sugerindo que o recente aumento verificado na inflação core possa ser temporário. Ao mesmo tempo, tendo em conta a antevisão de fraco crescimento económico não será previsível uma subida sustentada nos níveis de inflação do lado da procura.

Indicadores do BCE sugerem que a recente subida na inflação core possa ser temporária
Fonte: BCE, Refinitiv, Capital Economics

Na semana passada, realizou-se a reunião mensal do BCE onde deliberaram manter a política monetária inalterada. O BCE manteve a taxa das operações principais de refinanciamento em 0,00% e as taxas das facilidades permanentes de depósito/cedência de liquidez em -0,50% e 0,25%, respetivamente. O programa de compra de ativos também se manteve inalterado em 20 mil milhões de euros por mês. A presidente Christine Lagarde anunciou formalmente o inicio da revisão de estratégia desta instituição que deverá estar concluída até ao final do presente ano. No topo das prioridades deverá estar o reexame da meta de inflação e a eventual integração do combate às alterações climáticas nas medidas de política. Nesta fase, consideramos prematuro fazer quaisquer considerações sobre o rumo futuro da política monetária na Zona Euro. No entanto, é nosso entendimento que a política monetária se apresenta de certa forma esgotada, já que as taxas de juro negativas não estão a funcionar como estímulo económico e o programa de QE deixou de ser uma intervenção temporária no ciclo económico para se tornar numa detenção permanente da dívida dos Estados membros da União, por parte do BCE. Neste sentido, acompanharemos de perto a forma como o BCE poderá atuar daqui para a frente. Em suma, a análise mais detalhada das tendências dos vários indicadores económicos da Zona Euro reforça a nossa convicção de fraqueza económica para a região e a necessidade monitorizar de muito perto a futura atuação do BCE. Face ao exposto, nesta fase, mantemos a nossa preferência pelo investimento em ações americanas e dólar em detrimento da Zona Euro.

Em suma, a análise mais detalhada das tendências dos vários indicadores económicos da Zona Euro reforça a nossa convicção de fraqueza económica para a região e a necessidade de monitorizar de muito perto a futura atuação do BCE. Face ao exposto, nesta fase, mantemos a nossa preferência pelo investimento em ações americanas e dólar em detrimento da Zona Euro.

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