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Weekly Note

Surto de Coronavírus

Análise de potenciais impactos

Nas últimas semanas temos continuado a assistir a notícias sobre a epidemia com Coronavírus na China e a sua propagação para vários países do mundo, entre eles EUA, França, Alemanha, Itália e Espanha. A cidade chinesa de Wuhan, com 11 milhões de habitantes, foi o local onde surgiram os primeiros pacientes infetados, alguns dos quais aparentemente trabalhadores num local de venda de carne de animais exóticos, como morcegos, cobras e serpentes. O surto é apontado como tendo origem num vírus da mesma família da epidemia SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave) e MERS (Síndrome Respiratória do Médio Oriente), detetado inicialmente em morcegos e que terá sofrido uma mutação em cobras e serpentes.

Até ao momento, o número de casos reportados pelas autoridades de saúde mundiais é de cerca de 37.500 infetados (37.198 na China), dos quais resultaram 814 mortes (811 na China). Segundo os números divulgados, a taxa de mortalidade estará em 2,1%. Tal como se pode observar na tabela abaixo, as anteriores epidemias registaram taxas de mortalidade mais elevadas, de 9,6% no caso de SARS e 34% no caso de MERS. No entanto, tendo em conta o período mais alargado de incubação do atual vírus, 14 dias (dobro dos anteriores), poderá demorar mais algum tempo para se perceber a verdadeira dimensão do surto, inferindo mais sobre a sua velocidade de contágio e mortalidade.

As anteriores epidemias registaram taxas de mortalidade mais elevadas
Fonte: NHS, WHO, CDC, FT, Capital Economics

Tendo sempre presente que nesta fase ainda existe grande incerteza sobre a evolução do vírus, quer em termos de propagação quer em termos de gravidade, valerá, no entanto, a pena analisar o sucedido com as epidemias anteriores, quer ao nível do impacto no crescimento económico quer nos mercados financeiros.

A título de exemplo, a epidemia SARS atingiu o expoente máximo em fevereiro de 2003, ficando sob controle em julho de 2003. O gráfico abaixo demonstra o impacto desta epidemia no crescimento económico da China e das economias asiáticas. No segundo trimestre de 2003, a taxa média de crescimento trimestral do PIB nestas regiões foi 10 pontos percentuais abaixo daquela que havia sido verificada nos 4 trimestres anteriores. Porém, logo no terceiro trimestre de 2003, essa mesma taxa foi 15 pontos percentuais mais elevada do que a média verificada nos 4 trimestres anteriores ao SARS, o que significa que no total do período o efeito no crescimento do PIB das regiões visadas foi praticamente nulo.

O efeito da epidemia SARS no crescimento económico asiático foi praticamente nulo
Fonte: Refinitiv, Capital Economics

Analisando o impacto de SARS no crescimento do PIB mundial, a conclusão é semelhante. Tal como se observa no gráfico abaixo, o crescimento do PIB global, no segundo trimestre de 2003, foi inferior em 1 ponto percentual à média dos 4 trimestres anteriores. Porém, logo de seguida, essa taxa recuperou para um valor 3pp superior ao registado pré-SARS, fazendo com que a perda inicial fosse mais que recuperada.

Fonte: Refinitiv, Capital Economics

Relativamente ao impacto nos mercados acionistas, importa referir que decorridos 5 meses do anúncio do surto SARS, o índice MSCI China já apresentava um retorno positivo de 15%.

Assim sendo, as anteriores epidemias tiveram um impacto económico reduzido e temporário, que foi anulado logo que os vírus passaram a estar sob controle.

No entanto, importa salientar algumas diferenças para a situação atual. Em primeiro lugar, é preciso ter em conta que, por comparação a 2003 na altura do SARS, a proporção da economia chinesa no PIB mundial mais do que duplicou. A relevância da China nas cadeias de fornecedores a nível mundial é hoje também muito superior. Nesta perspetiva, um choque na economia chinesa no momento presente deverá ter um impacto potencialmente superior no resto do mundo. Por outro lado, as próprias medidas de ação do governo chinês ditam a dimensão do prejuízo económico. Note-se que desta vez a resposta foi mais abrangente, incluindo um prolongamento do período de férias de ano novo, mantendo fábricas e outros locais de trabalho encerrados. As viagens e os transportes foram alvo de fortes restrições. Assim sendo, sendo a resposta atual mais alargada poderá implicar um maior impacto económico, nomeadamente causar uma contração do PIB Chinês no trimestre corrente.

Até agora, os investidores não parecem revelar muita preocupação com os riscos associados ao Coronavírus. Desde o intensificar das notícias em meados de janeiro, as variações nos mercados acionistas foram praticamente nulas nos EUA e na Europa e -4% nos mercados emergentes (MSCI Emerging Markets – USD).

O efeito inicial será sentido maioritariamente no setor de turismo, com o número de passageiros nos transportes aéreos, rodoviários e ferroviários durante o período de ano novo chinês a apresentar uma queda de 55% face ao valor homólogo do ano anterior.

Em seguida, o prolongamento do encerramento das fábricas deverá afetar a atividade da indústria manufatureira chinesa. Os países emergentes asiáticos são os que mais dependem do fornecimento de bens intermédios por parte da China e como tal serão negativamente afetados. Por ordem de grandeza de exposição temos o Vietname, a Malásia, o Cambodja, a Tailândia, a Coreia do Sul, Taiwan e Hong Kong. É expetavel que os efeitos negativos sobre estas economias sejam superiores aos sentidos durante a crise SARS.

Nesta matéria, as economias avançadas ocidentais apresentam uma exposição mais reduzida. O valor dos bens intermédios fornecidos pela China representa apenas 1% ou menos do valor dessas economias, calculado pelo método do valor acrescentado. A menor exposição traduz essencialmente o baixo peso da indústria nas principais economias ocidentais. No entanto, tal como se pode observar no gráfico abaixo, existem alguns setores industriais específicos onde essa exposição se revela superior, como é o caso do setor automóvel norte-americano. Assim sendo, embora o impacto proveniente da potencial escassez de inputs chineses venha a ser reduzido, em termos globais, nas principais economias, não significa que alguns setores em específico não possam vir a sentir disrupções. No entanto, a dependência australiana das receitas do turismo chinês e da exportação de bens para a China poderá também implicar uma contração da sua economia durante o primeiro trimestre de 2020.

Nas economias ocidentais avançadas, a escassez de inputs da China afetará apenas alguns setores de atividade
Fonte: OCDE, Markit, Capital Economics

A Sixty Degrees irá continuar a acompanhar de perto a evolução desta situação apesar da análise de episódios históricos semelhantes sugerir que os potenciais prejuízos económicos (entre $250-$300bn) poderão ser de caracter temporário mas que adiarão temporariamente a recuperação económica global esperada para 2020. No entanto, tendo em conta o elevado nível de incerteza, admitimos que o Coronavírus poderá contribuir para elevar o nível de volatilidade dos diversos mercados.

Talvez um pouco mais preocupante seja o ressurgimento do surto de gripe das aves (H5N1) em Hunan, província transfronteiriça com Hubei onde apareceu o Coronavírus. Os estudos científicos levados a cabo nos últimos 15 anos sugerem que a possibilidade de contágio desta gripe aos humanos seria altamente gravosa, com potenciais taxas de mortalidade na ordem dos 60%. Neste sentido, a WHO (World Health Organization) pediu aos vários países que se mantivessem em alerta sobre a eventual mutação deste vírus para uma estirpe transmissível aos humanos.

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