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Investimento com selo Environmental, Social and Governance (ESG)

Sixty Degrees analisa tendência do investimento ESG

Os fatores ESG, acrónimo em inglês para Environmental, Social and Governance, estão cada vez mais presentes na esfera dos investimentos. O investimento denominado sustentável caracteriza-se por integrar os fatores ESG na sua criação e gestão. Os critérios de natureza ambiental envolvem preocupações relacionadas com a pegada ambiental das empresas. Os fatores sociais incluem o respeito pelos direitos humanos, o acesso à saúde e à segurança, entre outros. Por sua vez, os fatores de governo das sociedades dizem respeito ao sistema de políticas e práticas ao abrigo das quais uma empresa é dirigida e controlada, abrangendo questões de transparência e independência. Atualmente, estima-se que o montante sob gestão de ativos institucionais a seguir os critérios ESG na seleção de investimentos iguale 3 biliões (3tr) de dólares americanos a nível mundial.

Os fatores ESG incluem critérios ambientais, sociais e de governo das sociedades
Fonte: Mises Institute

De facto, regista-se um número crescente de investidores que quer ter em atenção o impacto ambiental e/ou as práticas de governo das empresas aquando da sua tomada de decisões de investimento. Por exemplo, a inclusão dos critérios ESG na seleção de empresas poderá excluir à partida certos setores como tabaco, álcool e/ou engenharia genética. Os objetivos dos investidores são louváveis, sendo natural que desejem aplicar a sua carteira em áreas que valorizam e que estejam em linha com os seus valores pessoais. A monitorização da atuação das empresas no que se refere aos fatores ESG deve estar incluída naquilo que se entende ser uma análise profunda dos casos de investimento, uma vez que todas estas matérias acabam por ser chave para a relação com reguladores e clientes.

No entanto, à medida que esta tendência se torna mais popular, os investidores deverão ser cautelosos quanto à hipótese destas métricas, em si mesmas, serem um driver de outperformance em termos de retornos. No nosso entendimento, esta assunção poderá não ser válida, até porque muitas vezes poderemos estar perante um trade-off. Teoricamente, ao incluir os fatores ESG na sua análise, os investidores poderão estar a restringir o universo de opções de investimento de tal forma que a rentabilidade obtida poderá ser inferior.

O atual sistema standard de pontuações e certificações ESG tem sido alvo de críticas por parte de alguns analistas e reguladores. Os reparos têm apontado inconsistência, imprecisão, dados de fraca qualidade e/ou incompletos. A título de exemplo, Heather Peirce, comissária da SEC – US Securities and Exchange Commission – teceu duras críticas ao atual sistema de avaliação de empresas com base em fatores ESG, num discurso datado de 19 de junho 2019 e disponível no website da SEC. De facto, quando se observam as principais posições detidas pelos fundos com mandatos ESG parecem existir razões para algum ceticismo. Tal como se observa na tabela abaixo, os fundos ESG investem maioritariamente nas empresas de dimensão superior. Será legítimo interrogar até que ponto é que estas big caps poderão ser favorecidas no sentido em que possuem os meios para melhor assegurar a sua certificação ESG, colocando em causa a fiabilidade de todo o sistema.

Os fundos ESG investem maioritariamente em big caps

Por outro lado, os estudos que mostram a outperformance recente do investimento ESG poderão apresentar algumas fragilidades no sentido em que são baseados no mais recente bull market onde as empresas de grande capitalização growth têm batido todos os restantes estilos. Alerta-se para a potencial desilusão durante o próximo bear market.

No âmbito deste tema, um dos aspetos alvo de grande atenção prende-se com a diversidade de género nos conselhos de administração e nos cargos de direção das empresas cotadas. A esse propósito, o Credit Suisse publicou, em outubro de 2019, uma atualização do relatório intitulado “The CS Gender 3000 in 2019: the changing face of companies”. O estudo conclui que as empresas com maior diversidade de género em cargos de direção tendem a ter uma melhor classificação em métricas de “qualidade”, incluindo retorno sobre capitais próprios, rácio dívida/capitais próprios ou volatilidade de resultados. O fator “qualidade” parece correlacionar-se positivamente com um melhor desempenho acionista mas, de acordo com os autores do estudo, não estabelece causalidade. Nesse sentido, diríamos que faz sentido incluir esta métrica na análise qualitativa de empresas e como componente base na avaliação do seu potencial de apreciação bolsista.

Segundo o Credit Suisse, as empresas com maior diversidade de género no management apresentam um melhor desempenho acionista
Fonte: Credit Suisse

Oferecendo uma perspetiva um pouco diferente, valerá a pena também mencionar o relatório das autoras Isabelle Solal e Kaisa Snellman, do INSEAD, intitulado “Women Don’t Mean Business? Gender Penalty in Board Composition”, de março de 2019. O estudo tem por base dados de empresas cotadas americanas e abarca um período de 14 anos. As autoras concluem que as empresas com maior diversidade de género, nos respetivos conselhos de administração, apresentaram um decréscimo no valor das suas ações. Quando uma empresa aumenta a diversidade de género do seu conselho de administração envia involuntariamente, para o mercado, um sinal de que o seu compromisso com a maximização de valor para o acionista poderá não ser total, já que o aumento da representação feminina poderá atender ao desejo de outros stakeholders que não os acionistas. Assim sendo, os investidores tenderão a penalizar a empresa por temer que esta não baseie as suas decisões na maximização de valor para o acionista.

Em suma, a Sixty Degrees reconhece a importância dos fatores ESG na análise de investimentos. No entanto, alerta para as insuficiências do atual standard de mercado, aconselhando a realização de uma análise própria e independente das matérias em questão, com o objetivo de incorporar estes valores sem sacrificar os seus retornos.

Por fim, importa mencionar a importância geoestratégica do 5G que se tornou mais evidente no âmbito das atuais tensões entre EUA e China. A administração americana, bem como outros líderes ocidentais, nomeadamente europeus, receiam que a Huawei esteja a servir as ambições geopolíticas do estado chinês através da venda de hardware e software a nível mundial. A rede de cabos debaixo de água é alvo de particular preocupação, uma vez que é responsável por 95% do tráfego intercontinental, podendo estar vulnerável a espionagem e/ou utilização como arma de conflito. Em específico, existe o receio de que o facto da Huawei possuir hardware proprietário no 5G, venha a conceder ao governo chinês uma vantagem incomensurável na prossecução das suas ambições geopolíticas. Recentemente, a Casa Branca anunciou que estava a trabalhar num plano, juntando num consórcio as tecnológicas líderes dos EUA (Microsoft, AT&T, Dell e Oracle) com vista à obtenção de softwares para 5G que funcionassem em hardware produzido por qualquer fabricante. Valerá a pena monitorizar a evolução destes testes e o progresso no esforço dos EUA para tentar criar uma alternativa de base ocidental à Huawei. Para já, as questões de segurança levantadas pelos EUA fizeram com que alguns clientes da Huawei em mercados emergentes (Orange, BT Group) e Austrália, Nova Zelândia e Japão afastassem a empresa dos seus planos de investimento em 5G.

A Sixty Degrees considera o 5G um tema crucial naquilo que são as tendências de futuro ao nível tecnológico. Assim sendo, consideramos que valerá a pena monitorizar a sua progressão e ao mesmo tempo identificar as potenciais oportunidades de investimento que daí poderão surgir.

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