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Entrevista de Virgílio Garcia – CEO da Sixty Degrees – à Funds People

Mais do que lançar fundos, nós queremos centrar-nos numa ideia diferente de gestão e serviço

Artigo original publicado em: pt.fundspeople.com

Sixty Degrees é a cara de um movimento que há muito não acontecia na indústria de gestão de ativos nacional: o nascimento, de raiz, de uma gestora de fundos mobiliários em Portugal.

Consolidando um histórico profissional adquirido maioritariamente no BPI a Sixty Degrees nasceu em 2019 pela mão de um conjunto de profissionais com comprovado track record no mercado nacional. Um deles é Virgílio Garcia, CFA, partner e CEO da entidade, que, numa recente conversa com a Funds People, explica que a empresa “nasceu da vontade de um conjunto de profissionais da gestão de ativos que viram com bons olhos as oportunidades que surgem da existência de raros casos de sociedade de gestão independentes”. Dos estudos realizados junto de potenciais clientes e investidores, os responsáveis pela entidade perceberam que estes “consideram a independência das casas de gestão de ativos, livres de pressões e de potenciais conflitos de interesses, como um fator muito importante para as opções de gestão do seu dinheiro”.

As convicções de gestão da Sixty Degrees cristalizam-se no fundo Sixty Degrees PPR/OICVM Flexível, mas o conceito da gestora vai além dos produtos. “Mais do que lançar fundos nós queremos centrar-nos numa ideia diferente de gestão e serviço”, explica à Funds People Virgílio Garcia. Nesse sentido, a típica e comum categorização dos clientes em perfis de investimento não tem lugar no modelo da gestora, pois consideram que “esses perfis acabam por “trancar” os clientes numa determinada forma de estar no mercado”, e, consequentemente, “quando o mercado muda a carteira dessas pessoas pouco ou nada mudam”.

PPR da casa: eficiência sem amarras

Obviamente, em função da eficiência fiscal, a Sixty Degrees decidiu iniciar o seu caminho na gestão de fundos mobiliários com um PPR/OICVM. Para o CEO da entidade gestora este é “de longe o melhor invólucro para clientes particulares, não só pelas razões fiscais, mas também pelas recentes alterações legais, introduzidas no ano passado, que vieram permitir a gestão deste tipo de fundos com total flexibilidade”.

A “flexibilidade” é precisamente a principal caraterística do produto. O fundo, conta, “refletirá, a cada momento, a experiência de cada um dos gestores da casa: uns com experiência mais a nível global, outros com experiência mais local, uns de ações, outros de obrigações… Experiências acumuladas que se vão cruzar”, na expetativa de otimizar os resultados para os clientes. Outra das preocupações da gestão passa pelo grau de liquidez do património do fundo: “Transformar os ativos em liquidez de forma imediata e a custos muito reduzidos para o fundo é uma das nossas preocupações. Não queremos nada ilíquido na carteira; ao mesmo tempo não queremos investir em algo que não consigamos explicar de forma simples ao cliente, em especial quais as razões para a sua incorporação na carteira”, assegura o profissional.

As convicções e opções de gestão da equipa de quatro gestores são espelhadas na carteira. “O fundo irá refletir, durante este período de arranque, uma maior preferência para o investimento em ações americanas e em dólar. O ativo de refúgio é atualmente a dívida de curto prazo americana. Preferimos evitar, neste momento, o continente europeu, o mercado japonês e os mercados emergentes como um todo”, explica Virgílio Garcia. Agnósticos quanto a um benchmark, a entidade define como objetivo interno desejável fazer melhor que a Euribor +2%. Apenas a partir deste patamar, se positivo, é cobrada uma comissão variável, alinhando desta forma o comissionamento do fundo aos interesses dos clientes.

Clientes de elevado património numa primeira fase

Os clientes que a entidade quer atingir numa primeira fase consegue “ler-se” pelo valor inicial de subscrição no produto: 100 mil euros. “Queremos dirigir-nos aos clientes de elevado património. Somos uma entidade pequena, queremos distinguir-nos pelo serviço, e nesse sentido, temos de começar por um universo de clientes mais restrito”, elucida. Contudo, o sucesso do produto ditará a abertura a outro tipo de clientes. “Se correr bem como esperamos, provavelmente lançaremos o mesmo tipo de serviço para clientes com outro tipo de património ou até para institucionais, onde o track record é minuciosamente inspecionado”, augura o profissional. 

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(Legenda da fotografia da esquerda para a direita: António Marques Dias, Catarina Quaresma Ferreira, António Mello Vieira, Filipe Bissaia Barrreto, Virgílio Garcia e Nuno Sousa Pereira.)

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